SEXO E CORAÇÃO

 

   Apesar de toda a liberalidade do mundo moderno em relação ao sexo, o assunto consegue manter sua aura de tabu, principalmente, quando está relacionado a alguma doença. Mas, se até nos casos das moléstias contagiosas como a Aids, por exemplo, existem formas de dar prosseguimento a uma vida sexual através das precauções que se pode tomar para não deixar de satisfazer as necessidades naturais do ser humano, por que com um cardíaco teria de ser diferente? É isso mesmo. Os boatos de que os doentes do coração não podem fazer sexo não tem fundamento científico, pois estudos atualizados demonstram que pessoas portadoras de doenças cardíacas podem e devem manter uma vida sexual normal, sem que isso resulte em riscos para o coração. O instinto sexual é uma função natural e uma capacidade inata com a qual cada indivíduo nasce e morre. Não é fato verdadeiro, como muitos acreditam, que esta função tenha início aos 13 anos e desapareça com a menopausa. A sexualidade funciona como as outras funções necessárias à vida, como respirar,comer,dormir,urinar etc. Daí não ser afirmativa a idéia de que as pessoas com problemas cardíacos devam se privar de sexo, uma exigência natural do organismo, para não criarem condições para a precipitação de sua morte. É um verdadeiro contraste, já que o sexo é que dá a vida. O que essas pessoas precisam é serem orientadas adequadamente, de acordo com o tipo de doença que apresentem.
     Nós, cardiologistas, somos abordados freqüentemente por nossos pacientes portadores de hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, arritmia, angina de peito e, até mesmo, os que sofreram ataque ataque cardíaco recente, sobre como será sua "vida sexual" e os riscos que correm com o ëxercício"do ato sexual. Porém, a ebnergia necessária para atividade sexual (normal) não é tão grande quanto a maioria dos pacientes cardíacos imagina.
     Os estudos neste setor têm demonstrado que são gastos em média seis calorias por minuto durante o ato sexual, o que equivale a mais ou menos uma volta no quarteirão em passo rápido ou subir um lance de escada. Sabe-se, também, através de outros trabalhos científicos que, a cada mil cardíacos que morrem subitamente, apenas seis falecem durante a prática  do sexo. Mesmo assim, desses seis, a grande maioria estava praticando sexo extraconjugal, o que determina uma situação de estresse emocional bastante intensa.
     Os pacientes portadores de doenças do coração, mesmo os que sofrem um ataque cardíaco (infarto do miocárdio agudo), não estão impedidos de praticar sexo, mas desde que liberados  por seu cardiologista, que é quem pode determinar o momento seguro para  se evitar o medo inconsciente de se estar praticando "algo proibido", o que também seria um fator de estresse.
     Existem algumas substâncias que melhoram o desempenho sexual sem comprometer a saúde, assim como alguns alimentos tidos por muitos como afrodisíacos. Consulte seu cardiologista e seu nutricionista.
     Dr. José Antônio Abi Ramia, formado em Medicina pela Universidade Federal Fluminense, é especialista em Nutrologia Médica e Ciências Biomoleculares pela Sociedade Brasileira de Nutrologia.