Fique de olho na alimentação

Até mesmo as pessoas a treinar há anos, estão sujeitas a errar na hora de se alimentar. Quer saber se você está cometendo alguns desses erros? Leia aqui

Treinar com dedicação já é um bom caminho para quem quer entrar em forma. No entanto, sem uma alimentação saudável e balanceada, dificilmente o treino dará os efeitos desejados.
E muita gente, na ânsia de querer resultados rápidos comete alguns erros na alimentação que podem ser facilmente evitados, como por exemplo, ingerir indevidamente muitas calorias, comer mal antes do treino, cortar carboidratos, entre outros equívocos.
Para que isso não aconteça com você, fique atento às respostas da nutricionista Patrícia Bertolucci.

O QUE PODE ACONTECER COM QUEM TREINA EM JEJUM?

Antes dos treinos, as refeições devem conter alimentos de fácil digestão e que levem em conta as preferências e hábitos dos praticantes de atividade física. Ficar em jejum não é recomendado, pois acarreta em um prejuízo considerável do desempenho no exercício.
Os carboidratos devem predominar em qualquer refeição ante do exercício, para promover o aumento nos depósitos de glicogênio, primeira fonte de energia utilizada durante o exercício.
A refeição anterior ao exercício irá fornecer energia e nutrientes necessários para uma boa performance. Ao treinar em jejum, as fontes energéticas podem não ser suficientes para o desenvolvimento da atividade, podendo causar sensação, fadiga, fraqueza e até o desmaio.


PESSOAS QUE FAZEM DIETA CORTANDO CARBOIDRATOS CORREM RISCOS AO TREINAR?

Sim. O carboidrato é a principal fonte de energia do organismo. Para obter uma boa performance durante o exercício, as reservas de glicogênio muscular e hepático devem estar completas, para oferecer energia suficiente para a prática. Para isso, é necessário o consumo de carboidrato antes do exercício.
O carboidrato também é necessário após a prática, para repor o glicogênio utilizado.
Pessoas com dietas pobres ou isentas de carboidratos, não possuem grandes reservas de glicogênio e, durante o treino, o corpo lança mão das proteínas endógenas (presentes no músculo) como fonte de energia: com isso, degrada massa muscular para obter a energia que está faltando.

O QUE A FALTA DE HIDRATAÇÃO PODE OCASIONAR?

A ingestão de água é importante para o transporte de nutrientes e manutenção da temperatura corpórea. Durante o exercício, há um aumento da produção de calor pela contração muscular, e a água é a responsável por essa eliminação do calor mantendo a temperatura do corpo em torno de 36,5º C.
A desidratação impede a performance principalmente quando há perdas acima de 2% do peso corporal. Em 1 hora de intensa transpiração você facilmente atinge este nível de perda e se a reposição não for imediata o funcionamento cardiovascular se sobrecarrega. Há diminuição do fluxo sangüíneo e central, fazendo com que o coração tenha que bater mais para manter o nível ideal de distribuição de líquidos para todo o corpo.

EXISTEM PESSOAS QUE COMEM MAIS DOCES OU ALIMENTOS MAIS CALÓRICOS

A manutenção do nosso peso depende do equilíbrio entre as calorias que gastamos. Para perdermos peso, o nosso gasto deve ser maior que o consumo. Nesse caso, precisamos aumentar nossa atividade física (gasto) ou diminuir as calorias da nossa alimentação (consumo).
Dependendo do gasto da pessoa, ela pode se dar ao luxo de consumir mais alimentos calóricos. No entanto, se o consumo for maior do que o gasto com o treino, ela poderá ganhar peso.

HÁ QUEM UTILIZE MUITAS CÁPSULAS DE VITAMINAS E MINERAIS. É CORRETO?

Não. A ingestão excessiva de algumas vitaminas e minerais podem gerar alguns danos ao organismo e devem ser consumidos somente com orientação.
A alimentação é a melhor forma de se obter vitaminas, minerais e qualquer outro nutriente, sendo que o cumprimento de todas as necessidades nutricionais é dado através de uma alimentação equilibrada. No entanto, algumas exceções podem sugerir a necessidade de uma suplementação, como em estados onde há déficit ou aumento das necessidades, como gestação, desnutrição, anemia, entre outros problemas e no caso de atletas.
A alimentação equilibrada composta por uma ingestão variada de frutas, vegetais e grãos integrais é capaz de suprir as necessidades da maioria dos indivíduos sadios.

DEMORAR PARA COMER APÓS A GINÁSTICA PODE PROVOCAR ALGUM PROBLEMA?

A alimentação pós-exercício é importante para restabelecer as reservas energéticas musculares que podem estar esgotadas após treinos maiores de 1 hora ou treinos de alta intensidade.
Estes estoques são repostos com mais eficácia e rapidez quando a pessoa se alimenta nas primeiras 2 horas pós-exercício, com alimentos fontes de carboidrato de alto índice glicêmico (pães,mel, cereais matinais, arroz, milho, batata, massas e outros alimentos à base de farinhas etc.)

TROCAR REFEIÇÕES POR BARRAS DE CEREAIS OU BEBIDAS ESPORTIVAS OU SUPLEMENTOS ALIMENTARES O QUE PODE OCORRER?

As barras de cereais,bebidas esportivas e suplementos alimentares são importantes para complementar a dieta de pessoas ativas e sem temo. No entanto, quando a pessoa troca com freqüência suas refeições por estes alimentos citados, pode adquirir uma deficiência nutricional.
Uma alimentação equilibrada deve conter alimentos de todos os grupos alimentares (carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais), o que não é o caso das barrinhas de cereais, bebidas esportivas e suplementos alimentares, pois cada um é rico em um nutriente específico. Quanto mais diversificada a alimentação, mais fácil de atingir as necessidades nutricionais do indivíduo.

EXAGERAR NAS PROTEÍNAS E DESPREZAR OS CARBOIDRATOS É COMUM?

O carboidrato é um nutriente vital e necessário para a prática de atividade física. Ele é o responsável em fornecer energia. O carboidrato deve ser consumidor antes e depois do exercício. Se o exercício for superior a 60 minutos, deve-se haver o consumo de carboidratos durante a prática.
Uma dieta com restrição de carboidratos prolongada pode causar sensação de cansaço, por causa do decréscimo das reservas de glicogênio. Quando não ingerimos carboidratos na quantidade necessária sentimos fraqueza, irritação, fadiga, o desempenho no exercício cai.
Na alimentação pós- exercício é importante o consumo de carboidratos com o objetivo de restabelecer as reservas de glicogênio muscular e hepático que são depletadas durante o treino; e de proteínas, que serão necessárias para a reparação das fibras musculares e que devem estar presentes em todas as refeições.

As proporções de nutrientes que devem ser ingeridas são:

55 a 60% de carboidratos(pães, massas, arroz, milho, biscoitos)

10 a 15% de proteínas (carne, frango, peixe, leite e derivados, ovos)

Menos de 30% de lipídios (óleos, azeite).

Indivíduos que praticam atividade física têm uma necessidade aumentada de proteínas, porém, jamais devem consumir proteínas, porém, jamais devem consumir proteína em detrimento do carboidrato ou uma dieta com excesso de proteínas: ambos nutrientes são essenciais para o desenvolvimento de problemas renais e hepáticos (além de ter sido demonstrado que o excesso deste nutriente não promove aumento da massa muscular).

QUANTAS REFEIÇÕES DEVEM SER FEITAS POR QUEM PRATICA ATIVIDADE FÍSICA?

A alimentação deve ser balanceada ao longo do dia. Recomenda-se o fracionamento da dieta em 5 ou 6 refeições, não havendo períodos de jejum maiores de 3 a 4 horas.
Quem se alimenta só nos três horários convencionais, tende a consumir mais a cada vez. E o organismo entende como jejum prolongado, diminuindo o ritmo de seu metabolismo. Comer em intervalos menores, mantém o metabolismo em constante funcionamento, ajudando na perda de peso. Não havendo longos períodos de jejum, não haverá problemas na performance do exercício.
Com refeições fracionadas, é possível haver um maior controle de peso e de qualidade da alimentação no dia-a-dia.