Um estilo de vida pouco saudável é
apontado como maior responsável pelo surgimento
de doenças do coração. Esta
é a conclusão de um estudo clínico
realizado em Cleveland e publicado no Journal
of the American Medical Association (Jornal da
Associação Médica Americana).
Antes da conclusão da pesquisa, atribuía-se
a maioria dos males cardíacos a fatores
genéticos, sendo que o conhecimento médico
convencional relacionava ao estilo de vida menos
da metade dos casos.
Outro estudo, sobre o mesmo assunto, mostrou resultados
semelhantes. " Sempre houve o consenso de
que ataques do coração fossem genéticos,
"disse Eric Topol, chefe do departamento
de medicina cardiovascular da clínica de
Cleveland responsável pelo estudo e chefe
da pesquisa. "Acho que agora entendemos que
o problema é tanto genético como
relacionado ao ambiente, e o ambiente, neste caso,
significa estilo de vida."
Por estilo de vida, entenda-se o ato de fumar,
comer demais e exercitar-se de menos - comportamentos
que levam à obesidade, pressão alta
e taxas altas de colesterol. Todos esses fatores
são cohecidos riscos para a saúde
em geral e podem favorecer os ataques do coração.
Estudos anteriores sugeriram que a maior parte
dos pacientes não apresentava algum desses
fatores de risco. Mas, ao analisar os dados de
diversos casos clínicos recentes envolvendo
mais de 120.000 pacientes com problemas do coração,
os pesquisadores descobriram que 80% a 90% deles
apresentavam pelo menos um dos fatores.
Topol alerta para a necessidade de campanhas de
conscientização, mas sabe das dificuldades.
"Comportamentos são as coisas mais
difícieis de mudar. E enquanto não
se levar a sério a importância de
uma dietasaudável, de exercícios
regulares, e deixar de fumar, as doenças
do coração continuarão a
ser um problema",completa.
Os cientistas de Cleveland não estão
sozinhos. Pesquisa divulgada pela Fundação
Britânicapara o Coração -
Britissh Heart Foundation- mosta que o risco de
doenças cardíacas é maior
do que se esperava para as mulheres que levam
a vida sedentária. O estresse no trabalho,
a depressão e a falta de alimentação
adequada são os principais fatores que
levam a ataques cardíacos. Estatísticas
mostram que quase duas em cada cinco mortes provocadas
por doenças cardíacas nas mulheres
poderiam ter sido evitadas com exercício
físico. A fundação estima
que o tratamento de doenças coronarianas
custam ao serviço de saúde pública
da Grã- Bretanha mais de US$2 bilhões
por ano.
O presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia,
Celso Amoedo, lembra que na década passada
mais de 5 milhões de pessoas morreram anualmente
por causa das doenças cardiovasculares
nos países desenvolvidos, segundo a Organização
Mundial da Saúde. "Já nas nações
em desenvolvimento, como o Brasil, este número
anual chega aos 9 milhões de óbitos
e só tende a crescer". Amoedo explica
que a epidemia de doenças do coração
nestes países é o resultado da redução
das taxas de mortalidades decorrentes de doenças
infecciosas, aumento da expectativa de vida e
mudanças no estilo de vida nas grandes
cidades.
O cardiologista acredita que para reverter estes
números não é preciso gastar
muito dinheiro em políticas públicas
de saúde. Bastam mudanças simples.
"É conscientização:
30 minutos diários de uma atividade física,
que pode ser a caminhada, diminuir o consumo de
sal e alimentos gordurosos e parar de fumar".
O presidente da SBC/ Funcor lembra que para as
doenças do coração a prevenção
ainda é o melhor remédio.
|