Os efeitos
nocivos do estresse prolongado são cada
a vez mais conhecidos no cotidiano das pessoas.
Quando o corpo reage diante de sensações
de ameaça ou pressão, desencadeia
uma alta descarga de adrenalina, que acaba estimulando
a liberação de a outros hormônios
pelo organismo, assim, muitas alterações
podem ocorrer. Desde a maior liberação
de suco gástrico,
causando gastrite, até um distúrbio
na taxa glicêmica, podendo levar ao diabetes.
O coração é outro orgão
que sofre, pois, com a viscosidade sanguínea
alterada, aumenta o risco de enfarte.
Associação entre
estresse e doença não é novidade.
Novo é o fato de um grupo de pesquisadores
ter descoberto como tudo isso que acontece. Estudo
realizado pela Universidade Estadual de Ohio mostra
que uma substância química chamada
Interleukin-6 aumenta consideravelmente no sangue
de pessoas estressadas. Análises prévias
haviam associado o IL-6 a diversas enfermidades,
incluindo doenças do coração,
rt artrite, osteoporose, diabetes tipo 2 e alguns
tipos de câncer.
A pesquisa da Universidade de
Ohio foi realizada com um ru grupo em 119 pessoas.
Todos viviam sob forte pressão em função
de cuidarem de cônjuges portadores de doenças
mentais. A saúde desses homens e mulheres
foi comparada com a de 106 pessoas de idade similar
e que não estavam passando pelo mesmo tipo
de estresse.
Comparados os exames de sangue,
o grupo sob estresse apresentava aumento da concentração
de Interleukin-6 em relação as pessoas
que não passavam por problemas de saúde
na família. O estudo também mostrou
que o IL-6 permaneceu no sangue dos voluntários
por até três anos após a situação
estressante acabar devido à morte do parceiro
sob cuidados.
Janice Kiecolt-Glaser, professora
de Psicologia e Psiquiatria da Universidade Estadual
de Ohio, acredita que a pesquisa está no
, caminho certo. "Isso realmente pode ser
o elo que liga o estresse crônico à
morte. Não havíamos tido uma boa
evidência do mecanismo antes", revelou
Janice, que chefiou o grupo de estudos ao lado
do marido, Ronald-Glaser, professor de virologia
molecular, imunologia e medicina genética
na Universidade de , Ohio.
A professora explica que as
pessoas sob estresse tendem a reagir fazendo coisas
que provocam o aumento dos níveis de IL-6,
como fumar ou comer demais, O cigarro aumenta
os níveis de IL-6, que é também
liberado por células de gordura. Outro
ponto crucial é que indivíduos estressados
não praticam atividade física ou
dormem o suficiente. "Exercícios físicos
reduzem o IL-6 e o sono regular também
ajuda a normalizar os níveis da substância",
explica. "Tudo aponta para a necessidade
de melhor controle do estresse", completa
Janice Kiecolt-Glaser, cujo estudo foi publicado
na Proceedings of the National Academy of Sciences
(procedimentos da Academia Nacional de Ciências)
Controlar o estresse é necessário
para viver mais e melhor. E os especialistas são
unânimes em apontar a atividade física
como uma das soluções mais eficazes.
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