A alimentação do desportista


1ª parte

Antigamente, com a expressão `alimentação do atleta´ fazia-se referência ao regime dietético a ser aplicado nas vésperas da competição. Na época moderna, já conscientes da importância de uma alimentação correta, o estilo de vida do atleta modificou-se profundamente, tornou-se mais racional, e hoje em dia tem-se plena consciência de quanto e como este fator pode condicionar o seu rendimento. A alimentação do atleta deve ser, portanto, programada com precisão, a fim de otimizar o bem-estar por ela proporcionado nãao apenas em vista da competição mais próxima, mas também na fase de preparação. O regime alimentar prevê uma cota de glicídios equivalente a 55-65%, dos quais somente 10-15% constituído por açúcares simples e o restante por carboidratos complexos. As fontes que devem ser privilegiadas são: pão, massa, batata e arroz (por causa de amidos) e fruta, pois contém açúcares simples (frutose), que possuem características de não propensão à hiperglicemia. Desta forma propicia-se a "calma insulínica", importante para uma boa performance atlética. A cota de lipídios constitui 25-30% do total, subdivididos em porções de um terço cada um entre saturados, mono-insaturados, poli-insaturados: podem ser de proveniência animal ou vegetal (entre as quais destaca-se o azeite), sendo ricas em fosfolipídios, facilitam a formação do colesterol HD ('positivo') capaz de combater a formação do colesterol LDL ('negativo'), responsável por muitas doenças cardiovasculares. Este último tipo de colesterol encontra-se em abundância nas gorduras saturadas, provenientes de fontes animais como a manteiga, as carnes e os lacticínios. Portanto, é aconselhável o consumo de óleos vegetais especialmente crus, pois o cozimento ou a fritura alteram a sua estrutura molecular gerando verdadeiras toxinas. O restante 15% é constituído pelo aporrte protéico, que no passado era incrementado de modo excessivo e injustificado. De fato, não tem nenhum fundamento fisiológico uma cota protéica a 2 gramas por kg de peso, sequer em fase de preparação física na qual é preciso dedicar maior atenção a potencializar a musculatura e que requer portanto um maior aporte de elementos plásticos, necessários para a formação da massa muscular. Não há dúvidas que as fontes alimentares preferenciais devem ser leite, carnes, ovos e peixes, devido ao alto valor biológico das proteínas nelas contida. Unindo, porém, alimentos de origem vegetal (como massa e legumes), também é possível obter um aporte completo de aminoácidos, pois as proteínas de ambos completam-se reciprocamente. A dedicação a treinos freqüentes acarreta também o aumento das próprias necessidades de vitaminas e sais minerais, contidos em abundância nas frutas e verduras, principalmente se cruas. É uma boa norma consumir pelo menos 400 / 600 gramas por dia de tais alimentos, não limitando-se às refeições principais, mas incluindo-os às refeições no café da manhã e nos lanches. Outro problema é a perda de líquidos, questão que deve ser tratada com muita atenção: basta pensar que a perda de uma cota de água equivalente a 2-3% do peso do corpo comporta efeitos negativos na performance do atleta, e perdas ainda maiores podem repercurtir no estado de saúde da pessoa. É, portanto, indispensável, reintegrar as reservas hídricas durante os treinos e durante as competições também para aprimorar o rendimento e não ficar sujeito a problemas como fraqueza, cãibras, dores de cabeça, vertigens, náusea, vômito e, em casos mais graves, um aumento repentino da temperatura corporal.

Objetivo o excesso de peso

As causas do excesso de peso

O excesso de peso é fruto, essencialmente, da combinação de dois fatores:

  1. uma alimentação errada tanto no que toca à quantidade dos alimentos, quanto no que concerne à qualidade dos mesmos;
  2. a sedentariedade, isto é, a falta de movimento. Hoje a tecnologia condiciona o nosso dia-a-dia: o elevador substitui as escadas, o carro substitui os nossos pés, a televisão e o computador nos obrigam a passar quase o dia todo sentados. Certamente a vida ficou mais fácil e cômoda, mas é bom lembrar que o nosso corpo foi projetado para o movimento.

OS OBJETIVOS DO PROGRAMA DE EMAGRECIMENTO
O programa de emagrecimento de um Clube de Fitness / Wellnes deve, portanto, visar dois objetivos principais:

  1. incrementar a atividade física;
  2. educar para uma correta alimentação.

A importância do binômio alimentação / atividade física para o emagrecimento já está consolidadad: o regime pode, sim, gerar uma queda de peso, mas não influi na composição corporal e no nível do metabolismo. A associaçãoentre uma menor entrada de calorias e um aumento do exrcício físico faz com que sejam potencializadas e desfrutados o melhor possível os efeitos positivos deste binômio.
Mais especificamente, a atividade aeróbica ajuda a perder peso sem precisar reduzir dramaticamente a quota de calorias e, além disso, aumenta o metabolismo não só durante a prática da atividade , mas depois também, proporcionalmente à intensidade e à duração do mesmo.
Por outro lado, as restrições do regime sozinhas determinam uma redução do peso corporal, com conseqüente perda de gordura, mas de tecido muscular também, sendo isto mais evidente no caso de regimes muito drásticos. Portanto, equilibrando um correto sistema alimentar com a atividade física, obtém-se o resultado de favorecer o consumo de gordura, combater a tendência à redução do metabolismo básico, evitar a perda de massa muscular - aliás de aumentar o seu volume - e gerar a melhoria da tonicidade muscular. Substituir a gordura com os músculos é fundamental do ponto de vista metabólico, pois para sustentar o tecido muscular é necessário um número muito maior de calorias do que para suportar uma análoga superfície corporal coberta de gordura, com conseqüente maior dispêndio de energia.

PARA OS MAIS TÉCNICOS

Os benefícios da atividade física no âmbito de um programa de emagrecimento podem ser resumidos em alguns tópicos fundamentais:

a) aumento do consumo de energia
b) perda de peso e variação da composição corporal com redução da massa gorda, manutenção e / ou incremento do tecido muscular;
c) aumento do limite aeróbico que gera uma maior utilização das gorduras como substrato energético ( o acúmulo de ácido láctico inibe o metabolismo dos ácidos gordurosos);
d) aumento do metabolismo básico;
e) aumento do metabolismo mesmo depois de encerrada a atividade física (para dar um exemplo disso: 20 minutos de bicicleta ergométrica com 70% de VO2 max aumentam o metabolismo em 5% nas 12 horas sucessivas à atividade física).